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| A HQ trata do conceito de beleza e leva o leitor a questionar seus critérios ou padrões pré-determinados |
Desde que a primeira estátua de Nossa Senhora do Caravaggio foi construída a polêmica sobre o rosto se instaurou em Farroupilha e na região. A discussão na comunidade era sobre a aprovação do rosto da santa. A estátua havia sido inaugurada em 2008, no início da Rodovia dos Romeiros, tinha 8 metros de altura e custou aos cofres públicos a bagatela de R$ 179 mil em valores da época.
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| Primeiro rosto da estátua |
Após muito barulho, resolveram alterar o rosto da santa. Contrataram novo artista e, mantendo o mesmo corpo, apenas o rosto foi alterado. Pela segunda vez, o rosto gerou polêmica, muita gente não gostou. Porém, esta segunda versão permaneceu por mais alguns anos. Em dezembro de 2015, a estátua completa foi removida do seu pedestal da rótula da RSC-452 e foi transferida para um jardim aos fundos do Santuário de Caravaggio.
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| Segundo rosto da estátua |
Como o transplante do rosto não funcionou, decidiu-se pela construção de uma nova estátua. Voluntários se dispuseram a doar materiais como cimento e tinta para o que seria a terceira tentativa. Esta estátua possui 5 metros de altura, menor portanto, para se adequar ao espaço que a acolhe, na rótula da RSC-453. A estrutura é revestida de ferro e concreto. As posições da santa e da Joaneta oferecem uma ideia de interação entre elas, algo que não havia na versão anterior. A nova estátua custou R$ 60 mil (valores de fevereiro de 2018) e foi captado pela equipe do Santuário, através da venda do Manual dos Devotos.
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| Estátua nova com o terceiro rosto |
Para se construir uma estátua de qualidade, é necessário talento especial. Não é qualquer artista que consegue uma reprodução humana perfeita em uma escultura. Quando se quer produzir um material artístico, não se pode escolher o artista por critérios financeiros. Quando a escolha se dá unicamente por critérios financeiros, corre-se o risco de ter resultados desastrosos, como estes exemplos.
O critério mais importante na escolha do artista para a obra se dá pela sincronia entre o que o cliente quer como resultado e a produção e experiência do artista naquele estilo. Os valores podem ser negociados depois. Analisando em retrospectiva, percebe-se que teria valido a pena investir R$ 200 mil na primeira vez em uma obra que agradasse a maioria. Talvez até fosse interessante que a comunidade conhecesse um protótipo da obra para que julgasse o resultado antecipadamente.
Veja o meu exemplo: como artista amador de quadrinhos, se eu criasse uma HQ de super-heróis, provavelmente seria um desastre. Meu estilo de traço é diferente, meu estilo de narrativa é outro, só sei que o resultado seria um tanto quanto estranho. Ou pelo menos, eu levaria uns bons 10 ou 15 anos para me aperfeiçoar em outro estilo. Quem é que vai esperar tanto tempo por algo assim?
Sobre a beleza
Toda esta polêmica leva a pensar sobre a interferência do gosto ou da estética na vida cotidiana e na coisa pública. Não se pode considerar o gosto pessoal como critério avaliativo. Jamais haveria consenso e as polêmicas seriam eternas.
Pode-se, no entanto, apelar para a estética ou critérios artísticos para uma avaliação técnica mais justa. Mas, o que é o belo? Como determinar aquilo que é belo e aquilo que é feio?
Ao considerar a história da arte, percebe-se que o padrão de beleza, principalmente a beleza feminina, direcionado à aparência física da mulher, muda conforme a época. A beleza, através do tempo, foi vista como harmonia na forma através da simetria e da justa proporção, como beleza ideal, espiritual, útil e funcional. Ao lado do belo se criou o conceito de feio como sua antítese. Uma desarmonia em relação às regras da proporção.
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| As duas capas dos livros de Humberto Eco |
Humberto Eco afirma que há dois problemas nisso: o primeiro é a ação de tornar o inimigo feio para que todos possam odiá-lo. E o segundo é quando o outro é feio e, portanto, deve ser odiado por causa disso. Estes livros mostrados na imagem fazem um resgate histórico dos dois temas em profundas análises.




