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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

A origem das igrejas

O enredo que envolve a origem destas duas igrejas na cidade de Farroupilha é digno de um filme, de um livro ou mesmo de uma história em quadrinhos que trate de mistério e fé! Sem dúvida, é a MAIOR TRETA da história de Farroupilha!


O ano era 2008 (acho) e eu fui dormir na casa dos meus pais, que haviam ido à praia. Meus avós, que moravam a uns 20 metros da casa, me convidaram para jantar na casa deles. Na primeira noite, após o jantar, meu avô inventou de contar suas histórias de infância e sobre sua vida em Farroupilha. Na segunda noite, levei um gravador para o jantar. Até hoje tenho gravadas 2 fitas K7 com os contos e piadas na voz dele, com as palavras dele.

O vô e eu

Uma destas histórias tratava do imbróglio entre a origem da igreja Matriz e da igreja do bairro Santa Rita. Na época, eu era um ignorante absoluto sobre a história da cidade, e achei que era lorota do vô pra cima de mim. Não podia ser verdade. Uma história cheia de revezes, de jogos, de brigas e de mistério, tão interessante, não poderia ter acontecido a metros de onde estávamos. Mas o que ele contou não apenas era verdade e, ao pesquisar, descobri que os detalhes da história batiam perfeitamente.

Esta história também foi relatada pela Alice Gasperin, no livro Farroupilha: ex-colônia particular Sertorina (1989), nas páginas 155 a 160. 






sábado, 3 de agosto de 2019

Qual é a boneca mais assustadora?

À esquerda você vê a boneca Annabelle original e, à direita, a boneca LENCI, do Museu Municipal de Farroupilha. A lenda da nossa boneca é mais antiga, mais interessante (eu acho!), e mais acolhedora. A Lenci tá ali no museu esperando uma visita sua. Vá conhecê-la!


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Lydia Moschetti: a dona da boneca

Lydia é uma das figuras mais espetaculares que Farroupilha já conheceu. Não apenas pela doação do acervo e do imóvel ao município, mas pela trajetória de talento, benemerência e doação que esta mulher fez não apenas nesta cidade, mas em todos os lugares por onde passou.


Nasceu em Fucecchio, na Toscana, em 14 de setembro de 1896. Teve nove irmãos e uma infância cheia de privações materiais e afetivas. Estudou em um internato de freiras. Imigrou para o Brasil, em São Paulo, com 17 anos. Atuou como soprano em uma companhia de teatro.

Palavras de Hilda Agnes Hübner Flores, vice-presidente da Academia Literária Feminina do RS, em prefácio no livro da Lydia:

“De tudo, concluo que Lydia teve uma jornada de vida diferenciada. Dinâmica, destemida e agressiva, transformou asperezas da vida em manancial de ajuda, assumindo uma grande sequência de realizações beneméritas como forma de manter-se permanentemente ocupada para acalmar seu temperamento indócil e revoltado ante a miséria alheia e a que ela mesma sofreu.”

Segue uma lista das obras que Lydia fundou:

1938: Grupo de Escoteiros
1939: Casa do Pequeno Jornaleiro
1940: Sopa Escolar em dois grupos escolares
1941: Instituto Santa Luzia, escola profissional para cegos
1941: Grupo de Escoteiros e Bandeirantes em Santos
1943: Fundou a Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul
1947: Educandário Dom Luiz Guanella
1955: Fundação pela Mãe e pela Criança
1956: Banco de Olhos, pioneiro no Brasil
1963: Lar do Bebê e Pupileira (para filhos de mães solteiras)
1970: Artesanato Feminino na Vila Ipiranga

Como co-fundadora em múltiplas iniciativas:

Pequena cruzada (1935)
Creche Navegantes do Círculo Operário (1935)
Natal do Guarda de Trânsito (1935)
Natal da Criança Pobre
Sopa para tuberculosos da Santa Casa de Misericórdia (Poa)
Enxoval para bebês na Santa Casa de Misericórdia (Poa)
Casa Nossa Senhora Medianeira (1940)
Almoço para mendigos Asilo Padre Cacique
Almoço para 200 crianças Mato Sampaio (bairro pobre de Poa)
Amparo Santa Cruz
Leprosário Itapoã
Sanatório Belém
Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano (Poa)
Liga da Defesa Nacional (1940)

Livros publicados: 

1940: A sobrinha do cardeal (romance)
1941: A vida é um ponto de “?” (romance)
1944: Um baile e uma vida (romance)
1946: No altar da caridade (romance)
1946: Uma lágrima (poesia)
1948: A morte das ilusões (romance)
1960: O problema do delinquente infantil e sua recuperação
1969: Poesias esparsas (poesia)
1970: Pensamentos soltos (poesia)
1970: Autobiografia (biografia)
1971: A história de minhas fundações
1971: Podes dormir tranquila (poesia)
1971: Trincheiras humanas (poesia)

Capa do livro autobiográfico
Esta lista que escrevi enumera a maioria dos seus feitos. Em sua autobiografia, pode-se encontrar várias outras obras e participações desta magnífica mulher. 

Abaixo, Lydia descreve o momento em que ela ganha a boneca no concurso. 

Trecho extraído de sua Autobiografia, páginas 242 e 243.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Museu Municipal Casal Moschetti

Fachada do Museu Municipal Casal Moschetti

O Museu Municipal Casal Moschetti é um acervo do casal que usava a casa (que hoje é o museu) para veraneio na Serra e que foi doado ao município. No interior, há muitos objetos pessoais e móveis da época deixados pelo casal. A casa nunca foi a moradia do casal, que vivia em Porto Alegre. Era a hospedagem para visita à cidade durante o veraneio.

Minha versão do museu. Espere para ver o que acontece lá dentro...

Mais informações no link da Prefeitura:
http://farroupilha.rs.gov.br/prefeitura/turismo-e-cultura/museus/


quarta-feira, 24 de julho de 2019

A LENDA DA BONECA DO MUSEU

Lenci, a boneca do museu

Conheci a lenda da boneca do museu por ouvir falar. Não lembro bem onde, nem quando. Lendas a gente ouve um pedaço aqui, outro ali e vai juntando as partes até formar uma história que faça sentido. Ou que não faça. Dizem (repare que o sujeito é indefinido, como todo bom mistério deve ser) que ela caminha no museu à noite. Dizem também que ela se mexe quando você não vê. Dizem que ela pisca se você encará-la, algo que não é muito inteligente de fazer de acordo com o manual das vítimas de filmes de terror com bonecos endemoniados.

Imagino que alguns elementos contribuíram para o surgimento da lenda em torno da boneca. O fato de a boneca possuir um rosto sério e não muito simpático. O modelo da boneca era comum na época em que foi criada, na década de 1920, no auge do estilo Art Déco. O modelo foi criado para concorrer com as bonecas de pano que dominavam o mercado.

Lydia Moschetti
A boneca foi um prêmio vencido por Lydia Moschetti em um concurso de cantores de ópera durante uma viagem à Itália por volta de 1937. Hoje, com aproximadamente 82 anos, ela está se deteriorando e necessita de restauro. O vestido está se desfazendo e o corpo, feito de cerâmica, está rachando.

Rafes: tentativas até a versão ideal

O fato da boneca ser grande e pesada. Criada, montada e pintada de forma artesanal, ela é feita de louça com altura de aproximadamente 1,20m. Não é uma boneca que se encontra na loja da esquina. Para a imaginação amedrontada, se a boneca ganhar vida, ela se torna um personagem assustador.

O fato de a boneca ter uma história (basicamente oral) relacionada a sua origem. E talvez também o fato da sua proprietária já ter falecido aumenta a ilusão do mistério.

O fato de a boneca ficar em uma sala isolada, oferecendo a ideia de que, a qualquer momento, ele pode se levantar e avançar sobre os visitantes (pra um abraço, claro!). O isolamento indica ao visitante para que ele mantenha distância da boneca e isso confirma os medos que ele alimenta.

O fato de o museu ser uma casa antiga, não muito bem iluminada, com móveis antigos e decoração estilo colonial cria um clima assombrado. Pra quem já entra impressionado, a coisa vai se agravando a cada cômodo visitado. 

L.E.N.C.I.


O nome vem da marca do fabricante italiano: Ludus Est Nobis Constanter Industria. Fundada no ano de 1919 em Turim, a empresa foi pioneira na fabricação e bonecas de cerâmica na tentativa de fugir da concorrência das bonecas de pano da época.

Outras bonecas produzidas pela mesma empresa
A empresa também fabricava brinquedos, bonecas, fantoches, pacotes, roupas, enfeites para roupas, xales, travesseiros, chapéus, sapatos, chinelos, cintos, artigos de moda e fantasia, cortinas, móveis de madeira dourada e artigos de decoração.

Outros modelos de boneca
As bonecas Lenci não só reproduzem crianças, muitas vezes com um rosto carrancudo como o famoso "grugnetto", mas também figuras com trajes regionais ou étnicos, roupas ou máscaras da moda e personagens fictícios ou inspirados em modelos reais, como Rodolfo Valentino e Josephine Baker. A vasta coleção de bonecas variava de itens de brinquedos destinados ao mundo da infância a bonecas colecionáveis refinadas, algumas das quais tinham o rosto de Marlene Dietrich. (Fonte: https://it.wikipedia.org/wiki/Lenci_(azienda))

(Fonte das fotos da bonecas: https://br.pinterest.com/jeanmccarthy72/lenci/)
(https://br.pinterest.com/pin/AdcPkbjPfz9O9_IIRuX4wn350tS8u4AxUx-B6DP8jSlcTL64VoXTgYQ/)





terça-feira, 23 de julho de 2019

A criação da capa e a escolha do tema

Capa e rafe do segundo número de Assim na Serra Como no Céu

Levei tempo para chegar até este resultado. A escolha da boneca como personagem principal demorou além do que eu esperava. Agora, esta decisão parece fazer sentido, mas não era a ideia inicial. O problema era o seguinte: eu queria manter a mesma proposta da capa do primeiro número, ou seja, apenas um elemento que representasse todo o livro. Como este segundo número possui 4 histórias independentes (e não uma história única como no primeiro número), a ideia inicial era um desenho que trouxesse elementos das 4 histórias.

Agrupei todos os principais personagens do livro
O problema neste caso era a quantidade elevada de elementos na capa: 1 para cada história e mais 1 elemento central interligando-os. O fato de ter criado a primeira história sobre a igreja, que me foi contada pelo meu avô, me levou a coloca-lo em todas as histórias, numa espécie de padrão Hitchcock de narrativa. Me pareceu lógico, então, colocá-lo como centro das atenções (e como homenagem também) envolvido com as 4 histórias. Mas os desenhos que desenvolvi não me agradaram. Eram elementos demais se comparados ao primeiro número.

A "caricartoon" do meu avô aparece em todas as histórias
Pensei então em colocá-lo sozinho na capa, correndo, fugindo dos elementos aterrorizantes das histórias que estavam por vir. Os vários elementos das histórias ficariam na capa 4, atrás do livro. Era então preciso que o leitor virasse o livro para que entendesse do que o personagem fugia. A ideia me pareceu melhor que as outras, mas fugia do padrão do primeiro número. E isto eu não queria.

Rafe da tentativa de colocar um objeto turístico da cidade na capa

Gôndola italiana da Praça da Imigração em Nova Milano

A ideia seguinte foi seguir a regra (regra?) de destacar um ponto turístico da cidade como elemento ou como detalhe na capa e valoriza-lo na capa 2, como fiz com a obra do Centenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul no primeiro número. Tentei a gôndola de Nova Milano e o leão da Praça da Imigração Italiana, mas senti que ainda não era isso que eu queria. O dilema era o seguinte: se colocasse o elemento no centro das atenções, sendo o leão ou a gôndola, ainda assim teria que colocar 4 personagens (1 de cada história) para estabelecer uma ligação. Caso contrário, estes elementos turísticos ficariam perdidos e sem ligação com os temas das histórias. E isso ocasionaria um acúmulo de informações na capa. Ainda não era isso.

Ainda vou usar este leão para outra história

Leão alado na Praça da Imigração em Nova Milano

A saída foi buscar outra ideia. Abandonei a ideia de apresentar os 4 elementos das histórias e deixei as ideias fermentando na minha cabeça por um mês mais ou menos. Com o tempo, entendi que a boneca Lenci do Museu Municipal também era um produto turístico assim como a obra do Centenário da Imigração Italiana do primeiro número e só então as coisas começaram a fazer sentido. Claro, a força da história da boneca podia muito bem representar o que as demais histórias possuíam: mistério e fé. A lenda é contada oralmente, não há precisão de fatos, pouco se sabe sobre a origem e isso estimula o mistério. E a fé, bom, a fé está no fato de as pessoas acreditarem que a boneca caminha pelo museu à noite, que ela pisca, que ela vira a cabeça. A fé move montanhas e parece que vira a cabeça da boneca também.

Buuu!

A ideia do teaser veio dos filmes de terror como Annabelle e tantos outros em que o artifício comumente usado nestes filmes com bonecos que incorporam a alma de um espírito maligno quase sempre é o fato de que, na segunda vez que você olha para o boneco aparentemente estático, você tem a impressão que ele se mexeu. Por isso a boneca está olhando pra trás; pra você, claro! Assustador, não?